WhatsApp (11) 94787-6998@marcoadvsp
Dr. Marco Aurélio · OAB/SP 553.365
Marco Fernandes Advocacia Agendar uma conversa
cyberbullying

Plataformas digitais na mira da Justiça: TikTok é condenado por tolerar trabalho infantil artístico no Brasil

O TRT condenou o TikTok por permitir trabalho infantil artístico sem autorização judicial, violando o Estatuto da Criança e do Adolescente. A plataforma foi multada e deve impedir conteúdos irregulares. A decisão reforça a proteção das crianças também no ambiente digital.

Marco Aurélio

9 de junho de 2025 · 3 min de leitura

A Justiça do Trabalho deu um importante recado às gigantes da tecnologia: a proteção da infância vem antes do lucro. Em uma decisão histórica, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região condenou a ByteDance Brasil, empresa responsável pelo TikTok, a se abster de permitir ou tolerar a veiculação de vídeos com trabalho infantil artístico em sua plataforma — salvo quando houver autorização judicial específica, como exige o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A sentença reconhece que o ambiente digital se tornou um novo palco para a exploração de crianças e adolescentes, que muitas vezes são transformadas em mini celebridades digitais com conteúdo monetizado, sem qualquer tipo de controle ou autorização legal.

A linha tênue entre diversão e exploração

Vídeos que mostram crianças em novelinhas, unboxing de brinquedos, desafios e peças publicitárias, quando frequentes e com retorno econômico, deixam de ser apenas entretenimento. A Justiça foi clara: essa prática configura trabalho infantil artístico — e precisa de autorização judicial para ocorrer legalmente.

O processo movido pelo Ministério Público do Trabalho revelou que perfis infantis monetizados estavam ativos na plataforma, sem que o TikTok exigisse ou fiscalizasse a existência de alvará judicial, como manda a lei. A empresa alegou não ser responsável pelo conteúdo publicado por terceiros, mas a tese não foi aceita pela Justiça, que entendeu que, embora não contrate diretamente os menores, a plataforma se beneficia financeiramente com a exposição.

Multa e dano coletivo

A empresa foi condenada a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos — valor a ser revertido ao Fundo da Infância e Adolescência — e poderá arcar com multa de R$ 10 mil por dia caso descumpra a obrigação de coibir esse tipo de conteúdo. A Justiça ainda determinou que o TikTok deve adotar mecanismos para identificar e impedir a divulgação de vídeos que envolvam trabalho infantil artístico não autorizado.

Por que isso importa para todos nós

O artigo 227 da Constituição Federal é claro: é dever da família, da sociedade, do Estado — e, agora reafirmado, das empresas — garantir proteção integral às crianças. E isso inclui o ambiente digital. O uso de algoritmos não pode ser escudo para a omissão diante da exploração da infância.

A decisão abre precedente relevante para outras plataformas e aponta que, mesmo sem legislação específica sobre o trabalho infantil digital, vale o que está previsto no ECA e em tratados internacionais como a Convenção 138 da OIT.

O que os pais e responsáveis devem saber

  • Vídeos com crianças em redes sociais podem ser considerados trabalho artístico.
  • Se houver monetização ou habitualidade, é necessário alvará judicial.
  • Mesmo que os vídeos sejam publicados por pais ou responsáveis, a plataforma também tem responsabilidade.

Essa decisão é um marco na luta contra a exploração infantil no mundo digital e reforça o papel ativo da Justiça, do Ministério Público e da sociedade em zelar por uma infância livre, segura e protegida — inclusive na internet.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação jurídica para o seu caso.

Dr. Marco Aurélio

Sobre o autor

Dr. Marco Aurélio

Advogado (OAB/SP 553.365), especialista em Perícia Digital Forense, membro da APECOF e autor de "Filhos Conectados, Pais Preparados".

Continue lendo
Direito Digital

Provas digitais frágeis podem comprometer processos e levar à absolvição

Dicas

Desindexação na internet: quando é possível desvincular seu nome dos resultados de busca?

Direito Digital

Idosos na internet: empresas ampliam proteção contra fraudes digitais