Idosos na internet: empresas ampliam proteção contra fraudes digitais

Os idosos na internet já representam uma parcela cada vez mais relevante da população conectada no Brasil. Segundo o IBGE, 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, crescimento de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano. Agência de Notícias IBGE

Esse avanço amplia acesso a bancos, compras, serviços públicos, consultas, redes sociais e comunicação com familiares.

Entretanto, também aumenta a exposição a golpes digitais, engenharia social, phishing, clonagem de cartões, falsas centrais de atendimento e fraudes financeiras.

A reportagem do Extra mostra que bancos, operadoras de telefonia e fabricantes de celulares vêm reforçando ferramentas de proteção, como biometria, bloqueio remoto e alertas para movimentações consideradas suspeitas. Bra 1

O desafio, porém, vai além da tecnologia.

Incluir digitalmente também significa ensinar como usar a tecnologia com segurança.

Por que cresceu tanto o número de idosos na internet?

A expansão do acesso móvel ajudou a reduzir uma barreira que durante muitos anos afastou parte da população mais velha do ambiente digital.

Hoje, tarefas que antes exigiam deslocamento podem ser realizadas pelo celular:

  • consultar benefícios;
  • pagar contas;
  • falar com familiares;
  • comprar produtos;
  • acessar serviços bancários;
  • marcar consultas;
  • utilizar serviços públicos;
  • realizar transferências.

Segundo o IBGE, o grupo com 60 anos ou mais apresentou a maior expansão proporcional no uso da internet entre 2024 e 2025. Agência de Notícias IBGE

Além disso, levantamento da Nexus com base nos dados da PNAD estima que o número de usuários 60+ conectados passou de 6,5 milhões em 2016 para 26,6 milhões em 2025. Exame

Portanto, a população idosa deixou de ser um grupo periférico na internet.

Ela já é parte central da economia digital.

Por que idosos são alvo frequente de golpes digitais?

Não existe uma única razão.

E é importante evitar o estereótipo de que toda pessoa idosa possui dificuldade com tecnologia.

Muitos utilizam aplicativos, bancos e redes sociais com autonomia.

Entretanto, criminosos procuram grupos nos quais consigam explorar confiança, urgência, medo ou desconhecimento de determinados processos digitais.

É justamente isso que caracteriza a engenharia social.

O Banco Central já alertou que muitos golpes financeiros contra pessoas idosas envolvem criminosos que se passam por funcionários de bancos e tentam convencer a vítima a informar senhas, códigos ou dados pessoais. Banco Central do Brasil

Além disso, golpes modernos estão cada vez mais sofisticados.

O criminoso pode conhecer o nome da vítima, o banco utilizado, o CPF, informações familiares ou dados relacionados ao benefício previdenciário.

Quando uma mensagem contém informações verdadeiras, a fraude parece muito mais convincente.

Quais golpes mais atingem pessoas idosas?

Entre os mais frequentes estão:

  • falso funcionário de banco;
  • falsa prova de vida;
  • empréstimo consignado não solicitado;
  • boleto falso;
  • WhatsApp clonado;
  • falso familiar;
  • falsa entrega;
  • phishing por SMS;
  • falso suporte técnico;
  • falsas ofertas de investimento.

Em setembro de 2026, por exemplo, o INSS voltou a alertar aposentados sobre mensagens falsas relacionadas à prova de vida. Os criminosos enviam links e ameaçam suspender o benefício caso os dados não sejam atualizados. Serviços e Informações do Brasil

Poucas semanas antes, o próprio INSS também havia alertado para mensagens de phishing destinadas a roubar dados pessoais de segurados. Serviços e Informações do Brasil

A lógica quase sempre é semelhante:

criar urgência para impedir que a vítima tenha tempo de verificar a informação.

Quais ferramentas as empresas estão oferecendo?

Com o crescimento desse público, instituições financeiras e empresas de tecnologia passaram a ampliar mecanismos de proteção.

A reportagem que originou esta análise cita recursos como biometria, bloqueio remoto de dispositivos e alertas de transações suspeitas. Bra 1

Fabricantes também vêm fortalecendo controles diretamente nos aparelhos.

A Samsung, por exemplo, oferece mecanismos de bloqueio remoto capazes de impedir o acesso ao aparelho em caso de perda ou roubo. Samsung de

Além disso, sistemas atuais permitem bloquear aplicativos de fontes não autorizadas e restringir comportamentos considerados perigosos. Samsung de

Esses recursos ajudam.

Entretanto, não conseguem impedir todos os golpes.

Biometria resolve o problema das fraudes?

Não.

A biometria é uma camada importante de autenticação.

Entretanto, muitos golpes não começam tentando quebrar uma senha.

Começam tentando convencer a própria vítima a autorizar uma operação.

Imagine que um falso funcionário do banco diga:

“Precisamos confirmar sua identidade. Abra o aplicativo e aprove a solicitação.”

A biometria funcionou corretamente.

O problema é que a pessoa foi induzida a autorizar uma ação fraudulenta.

Por isso, tecnologia e educação precisam trabalhar juntas.

Seguro contra fraude substitui a segurança do banco?

Não.

Esse é um ponto jurídico interessante levantado pela reportagem.

Alguns consumidores contratam seguros que cobrem determinadas situações, como roubo de cartão ou transferências indevidas.

Esses produtos podem ser legítimos e voluntários.

Entretanto, o especialista ouvido na reportagem ressalta que seguros contra fraude não podem ser impostos como condição para que o consumidor tenha acesso a medidas básicas de proteção. Impacto Wiki

Em outras palavras:

a segurança essencial do serviço não pode depender da contratação de um produto adicional.

Essa distinção é especialmente importante quando estamos diante de consumidores mais vulneráveis.

Empresas precisam pensar em segurança e acessibilidade ao mesmo tempo

O desafio não termina em bloquear golpes.

Também é necessário garantir que as ferramentas de segurança sejam compreensíveis.

Uma senha extremamente complexa pode aumentar a proteção, mas pode se tornar uma barreira se o usuário não souber como gerenciá-la.

Da mesma forma, um aplicativo com dezenas de telas e termos técnicos pode gerar insegurança.

Pesquisa da USP identificou justamente esse problema ao estudar a interação de pessoas idosas com chatbots.

O trabalho propôs 43 diretrizes para tornar esses sistemas mais acessíveis e inclusivos, considerando clareza, linguagem, interface e facilidade de uso. ICMC

Isso revela um princípio importante:

segurança que ninguém consegue usar não é segurança eficiente.

Família também tem papel importante na proteção digital

A participação da família pode ajudar muito, principalmente quando acontece sem retirar a autonomia da pessoa idosa.

Algumas práticas simples fazem diferença:

  • combinar uma palavra de segurança para pedidos de dinheiro;
  • orientar a não clicar em links recebidos por mensagem;
  • ativar autenticação em dois fatores;
  • revisar limites de transferência;
  • configurar alertas bancários;
  • ensinar como bloquear o celular;
  • verificar juntos os canais oficiais;
  • manter aplicativos atualizados.

Além disso, vale criar uma regra simples:

nenhum pedido urgente de dinheiro deve ser atendido sem confirmação por outro meio.

Se alguém mandar mensagem dizendo “troquei de número”, ligue para o número antigo ou fale com outro familiar.

Empresas podem fazer mais do que simplesmente alertar

Muitas organizações ainda concentram esforços em mensagens como:

“Cuidado com golpes.”

Isso ajuda, mas não basta.

Sistemas podem ser desenhados para dificultar fraudes.

Entre as possibilidades estão:

  • limites configuráveis;
  • confirmação adicional para transações atípicas;
  • análise comportamental;
  • alertas de movimentações fora do padrão;
  • autenticação reforçada;
  • bloqueio remoto;
  • canais rápidos para comunicar fraude;
  • confirmação de identidade em mudanças sensíveis.

Além disso, instituições precisam observar um dado importante: segundo representantes do setor financeiro em fórum promovido pelo Ministério da Justiça, mais de 80% das fraudes começam fora do sistema bancário, em redes sociais, aplicativos e chamadas telefônicas. Serviços e Informações do Brasil

Portanto, a transação financeira costuma ser apenas a etapa final.

O golpe começa muito antes.

Por que educação digital continua sendo essencial?

Porque criminosos mudam de estratégia constantemente.

Hoje pode ser uma falsa prova de vida.

Amanhã, um falso advogado.

Depois, uma voz clonada por inteligência artificial.

Nenhuma ferramenta consegue prever sozinha todas as abordagens possíveis.

Por isso, o conhecimento continua sendo uma das principais formas de proteção.

A M A Segurança Digital já analisou como o golpe do falso atendente no WhatsApp utiliza confiança e autoridade para induzir vítimas a fornecer informações ou realizar operações.

O mesmo princípio aparece em diversos crimes contra pessoas idosas: o criminoso tenta assumir a identidade de alguém confiável.

Conclusão: inclusão digital precisa vir acompanhada de proteção

O crescimento dos idosos na internet é uma conquista.

Ele amplia autonomia, acesso a serviços, comunicação e participação social.

Entretanto, essa inclusão também exige responsabilidade de bancos, plataformas, empresas de telefonia, fabricantes de dispositivos e famílias.

Ferramentas de biometria, bloqueio remoto e monitoramento ajudam.

Mas não resolvem tudo.

Segurança digital para pessoas idosas precisa combinar tecnologia, educação, acessibilidade e canais de atendimento realmente humanos.

Não basta colocar uma pessoa dentro do ambiente digital.

É necessário garantir que ela consiga permanecer ali com autonomia e segurança.

A M A Segurança Digital atua com palestras, treinamentos e capacitações em segurança digital, prevenção a golpes, engenharia social, proteção de dados e conscientização de públicos vulneráveis.

Por Marco Aurélio – Perito em Segurança Digital | M A Segurança Digital

Advogado e Formado em Segurança Pública, é Especialista em Perícia Digital Forense e Direito Digital, Marco Aurélio atua como palestrante em Segurança Digital, com foco na prevenção e análise de incidentes cibernéticos, proteção de dados e compliance digital. Criador da M A Segurança Digital e autor do livro “Filhos Conectados, Pais Preparados”, dedica-se a traduzir a tecnologia em linguagem jurídica e prática para empresas e profissionais do Direito.

Fontes consultadas

O IBGE mostrou que 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, grupo que apresentou a maior expansão anual entre as faixas etárias analisadas. Agência de Notícias IBGE

A reportagem do Extra, reproduzida por outros veículos, mostra como bancos, fabricantes e operadoras vêm reforçando recursos como biometria, bloqueio remoto e alertas de fraude. Bra 1

O INSS mantém alertas recentes sobre phishing e falsas solicitações de prova de vida direcionadas especialmente a aposentados e pensionistas. Serviços e Informações do Brasil

O Banco Central também destaca a importância da educação financeira e digital diante de golpes baseados em engenharia social contra pessoas idosas.

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